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"Mexa-se! Pela sua Depressão"
A depressão é a perturbação mental mais comum em todo o Mundo, afectando um total de cerca de 121 milhões de pessoas. Dentro dos vários tipos de depressão, a Perturbação Depressiva Major (PDM) é uma das mais graves, sendo uma patologia debilitante, principalmente devido aos longos períodos de sintomas depressivos, sintomas físicos, como dores, perturbações cognitivas, alteração da capacidade de “funcionar” diariamente, e ideação suicida, tendo um profundo impacto na vida pessoal, social e familiar, não só dos doentes como de todos os que com eles lidam. As causas da PDM são extremamente complexas e ainda estão longe de ser esclarecidas, mas sabe-se que envolvem factores genéticos, biológicos, ambientais e sociais. O tratamento da PDM envolve múltiplas estratégias, tais como medicação e psicoterapia, mas as taxas de sucesso estão aquém das expectativas, o que tem levado à procura de terapias alternativas como adjuvantes ou potenciadoras da farmacoterapia.
É neste contexto que a prática de exercício físico moderado tem vindo a ser estudada como potenciador do efeito dos antidepressivos, surgindo associada a uma melhora dos sintomas de depressão e a um aumento da qualidade de vida dos doentes com depressão. No entanto, questões como o tipo e a quantidade de exercício físico, e durante quanto tempo este deve ser mantido, continuam a ser alvo de grande controvérsia.
Um estudo realizado por nós mostrou que a realização de simples caminhadas, durante 30-45 min/dia, 5 dias por semana, durante 12 semanas, trouxe melhoras significativas a doentes com PDM resistente à terapêutica, tanto a nível da depressão como da sua qualidade de vida. No entanto, o seguimento destes doentes ao longo do tempo mostrou que estes efeitos benéficos do exercício físico apenas prevalecem se o exercício for continuado. Estes nossos resultados estão de acordo com outros estudos internacionais, não só na PDM mas também noutros tipos de depressão, que apontam a realização continuada de exercício físico moderado como uma valiosa terapia adjuvante à farmacoterapia.
Mecanismos do Efeito do Exercício Físico na Depressão
Embora não se saiba ao certo porque é que o exercício físico ajuda nas melhoras da depressão, sabe-se que os seus efeitos são tanto físicos como psicológicos. Quando se pratica exercício físico o organismo produz e liberta várias substâncias, nomeadamente endorfinas e neurotrofinas, sendo que as primeiras são potentes analgésicos naturais e as segundas contribuem para a neurogénese, ou seja, ajudam a sobrevivência dos neurónios e contribuem para o crescimento de novos neurónios e sinapses, protegendo assim dos danos neuronais induzidos pelo stress. Por outro lado, o exercício aumenta a transmissão sináptica aminérgica, ou seja, afecta a taxa de transmissão de monoaminas endógenas como a serotonina, norepinefrina e dopamina, que se sabe serem anti-depressivos naturais. Mas o exercício tem também efeitos psicológicos importantes, que podem ajudar o doente a sentir-se melhor. O simples facto de fazer exercício físico distrai o doente, levando-o a concentrar-se no que está a fazer e a pensar menos na sua doença.
Tipo e Quantidade de Exercício Físico
A Organização Mundial de Saúde recomenda pelo menos 150 minutos de exercício físico moderado por semana para todos os adultos, o que dá uma média de meia hora por dia durante 5 dias. Do ponto de vista da depressão, é importante que o doente aprecie o que faz, seja nadar, caminhar, correr, andar de bicicleta, fazer jardinagem ou qualquer outra actividade de que goste. Um ponto a ter em consideração é que duas das características da depressão são o cansaço e uma enorme falta de motivação para fazer seja o que for. Assim, aqui ficam alguns conselhos úteis: 1) não tente atingir esta meia hora por dia no início; começe devagar, estabelecendo objectivos semanais realísticos e indo aumentando ao longo do tempo; 2) escolha uma actividade que lhe seja agradável, ou até uma combinação de várias actividades; 3) mantenha um “diário”, onde escreve o que planeia fazer e depois o que fez realmente; 4) dê a si próprio pequenas recompensas quando atinge os objectivos a que se propôs, seja um jantar diferente ou uma ida ao cinema; 5) por vezes, incluir outras pessoas nessas actividades pode ajudar.
A não esquecer
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Nunca deixe de tomar a medicação que lhe foi dada pelo médico ! É extremamente perigoso abandonar a medicação sem conselho médico.
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Se se sentir muito cansado, pare. O exercício só é benéfico se fôr uma actividade que lhe agrada, que gosta de fazer, não um esforço físico que o deixa “de rastos”.
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Aproveite para associar à prática de exercício físico um estilo de vida saudável, como uma dieta apropriada.
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E, acima de tudo, divirta-se enquanto se mexe.
Coordenador do projecto “Mexa-se! Pela sua depressão”:
Jorge Mota Pereira
Médico psiquiatra
Clínica Médico-Psiquiátrica da Ordem, Porto
Site: http://venceradepressao.com
Tlf: 225107632 |
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