Miguel Bombarda vai fechar e obras no novo edifício demoram mais um ano. Condenados sem segurança.
O fecho do Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, vai obrigar a deslocar 76 doentes para outras instalações já no mês que vem. Destes, 32 são criminosos inimputáveis que estão internados sob apertada segurança, já que a unidade é a única no País com capacidade para internar os doentes mais perigosos. Mas o edifício que os detidos deveriam ocupar no Parque Saúde não está pronto para os receber porque as obras não foram feitas. Devido a este atraso, os inimputáveis vão ter de ocupar parte do pavilhão onde funciona o Centro das Taipas, que também precisa de obras para os acolher.
"Em 2009 sugerimos que se encontrasse uma solução para 44 doentes residentes (ver caixa) e financiamento por parte do ministério para fazermos obras e instalar a enfermaria forense. Houve um atraso muito grande na autorização do financiamento. Mais de um ano", disse ao DN França Jardim, administrador e director clínico do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL), do qual faz parte o Miguel Bombarda.
No total são 76 doentes que têm de sair do hospital psiquiátrico, que foi vendido em 2009 à Estamo, uma empresa pública, por cerca de 25 milhões de euros. Embora estivesse previsto para o final deste ano, aquela unidade mental só ficará completamente desocupada em Janeiro de 2011. Caso isso não aconteça, o Estado será obrigado a pagar uma indemnização à Estamo, valor que corresponde a uma percentagem do preço pelo qual o edifício foi vendido.
Razões pelas quais os 32 inimputáveis considerados perigosos - cuja média de internamento é de cinco anos - vão ser transferidos provisoriamente para parte do edifício onde está o Centro das Taipas. Mudança que obriga a mais obras. "Os doentes que estão na enfermaria forense sofrem de quadros psicóticos e estão a cumprir penas superiores a três anos por agressão, lenocínios e outros crimes. Estão em regime fechado, com regras de segurança, e só o tribunal pode autorizar a saída. As instalações provisórias também vão precisar de algumas obras, como a colocação de vidros inquebráveis", disse França Jardim.
E não são os únicos a fazer alterações. Segundo o responsável, "o Centro das Taipas vai iniciar obras na nova estrutura que vai ocupar e o espaço para onde irá a enfermaria forense deverá estar liberto em Janeiro. Mas não deverá estar em condições de receber os doentes antes do final de Fevereiro, início de Março", disse França Jardim, acrescentando que "o Ministério da Saúde solicitou pressa".
A coordenação da equipa de projecto da unidade de cuidados integrados em saúde mental confirma a previsão da saída dos inimputáveis, mas justifica o atraso nas obras com o projecto arquitectónico. Primeiro pensaram na construção de um edifício de raiz, mas, como não seria possível terminá--lo em tempo útil, procuraram, juntamente com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, encontrar uma "alternativa adequada". "O que também não foi possível", dizem.
O pavilhão 28 do Parque Saúde, para onde irá definitivamente a enfermaria forense, está desocupado. Mas foi a última alternativa. De acordo com França Jardim, "as obras deverão demorar mais de um ano", ficando concluídas em 2012. A nova enfermaria terá condições que o Miguel Bombarda não podia oferecer. "Projectou-se uma estrutura com uma lotação maior e que dê para ambos os sexos. Trata-se de uma reconstrução completa, com os equipamentos necessários de segurança. O valor deverá rondar os 2,5 milhões de euros", explicou o director clínico.
O novo edifício terá ainda um pátio isolado, com equipamentos desportivos e de lazer e uma horta para os doentes se ocuparem.
Fonte: DN Portugal