Um grupo de investigadores, de diferentes instituições1, publicou um artigo na revista Child Development onde se refere que o absentismo às aulas se encontra relacionado com problemas de saúde mental entre os jovens.
O estudo realizado foi longitudinal e contou com a participação de 17 000 jovens, do primeiro ao décimo segundo ano. Os investigadores realizaram entrevistas e passaram questionários a alunos, pais (anual ou bianualmente) e professores, e reuniram informações junto da escola sobre a comparência às aulas.
Este estudo revelou que as faltas frequentes se encontram associadas a uma maior prevalência de problemas de saúde mental na adolescência, predizendo ainda que problemas de saúde mental em determinado ano podem levar a faltas no ano seguinte, em alunos do ensino preparatório e secundário.
Jeffrey Wood um dos autores do estudo refere que embora se soubesse que os alunos que mais faltam têm maior probabilidade de exibir sintomas psiquiátricos, continuam por esclarecer as razões que expliquem esta tendência.
O estudo indicou, ainda, que entre o segundo e o oitavo ano de escolaridade os alunos que já tinham problemas de saúde mental (comportamentos anti-sociais ou depressão) faltavam um maior número de dias do que em anos anteriores à doença ou do que os alunos sem problemas de saúde mental. Por outro lado, no preparatório e secundário os alunos que faltaram constantemente, no ano anterior ao estudo, tendiam a ter depressão ou problemas anti-sociais nos anos seguintes. Por exemplo, alunos do oitavo ano que faltaram mais de 20 dias tinham maior probabilidade de terem níveis de ansiedade superiores e de virem a ter depressão no décimo ano, comparativamente aos alunos que faltaram menos de 20 dias.
Estes resultados são importantes na medida que alertam para a necessidade de promover programas de combate ao absentismo na escola, tendo ainda como benefício a promoção da saúde mental, uma vez que estes dois elementos se influenciam mutuamente ao longo do tempo.
A realização deste projecto foi possível através do patrocínio do National Intitute of Mental Health (NIMH), do Instituto Nacional da Saúde Mental na Criança e Desenvolvimento Humano Eunice Kennedy Shriver e com financiamento cooperativo de mais 17 instituições.
Fonte: Medical News Today, 29.12.11
1 Universidade da Califórnia; Universidade da Flórida; Universidade de Boston; Centro de Investigação de Serviços à Criança e ao Adolescente; Centro de Aprendizagem Social de Oregão e Universidade John Hopkins.