Um estudo realizado no âmbito do projecto europeu Driving Under the Influence of Drugs, Alcohol and Medicines (DRUID) coloca Portugal em primeiro lugar, entre 13 países, em relação à quantidade de pessoas (2,73%) que conduz sob o efeito de benzodiazepinas, ou seja, de ansiolíticos. Este tipo de substâncias não parece ser o principal problema do país, onde perto de 9% dos jovens condutores consome álcool. As informações deste estudo deverão dar origem a novas orientações nas políticas de prevenção de acidentes rodoviários.
Em Portugal os dados referentes a este estudo foram recolhidos por uma equipa do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) e o relatório final ainda não é conhecido. Este estudo tem a particularidade de, pela primeira vez, fornecer informação sobre condutores não envolvidos em acidentes de viação e, também, de permitir compará-la com outros países europeus (Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Hungria, Holanda, Itália, Lituânia, Noruega, Polónia, República Checa e Suécia).
O estudo, desenvolvido pela Comissão Europeia, visa obter uma avaliação estatística fundamentada da prevalência do consumo de álcool, droga e fármacos nos diversos países da Europa e sendo considerado determinante para a definição de políticas de prevenção.
Mulheres consomem mais benzodiazepinas
As operações rodoviárias de controlo dos níveis de álcool no sangue e de recolha de amostras de saliva foram realizadas por equipas do Instituto Nacional de Medicina Legal, em colaboração com as forças de segurança e envolveram 3965 condutores, que participaram de forma voluntária e anónima. Entre Janeiro de 2008 e Junho de 2009, os participantes foram escolhidas de forma aleatória, em várias estradas nacionais. No entanto, as áreas geográficas do país, os horários, bem como os dias da semana e os meses de recolha, foram fixados pelos responsáveis europeus do projecto de forma a tornar a amostra representativa.
Em 10% do total de condutores portugueses foi encontrada pelo menos uma substância psicoactiva. As substâncias mais prevalentes foram o álcool (4,93%), as benzodiazepinas (2,73%) e a THC, que é o princípio activo da cannabis (1,38%).
O estudo vem mostrar que Portugal se destaca, precisamente, pela percentagem de condutores (4,75% mulheres e 1,68% homens) que conduz sob o efeito de ansiolíticos. Com uma particularidade: o consumo deste medicamento verifica-se especialmente entre as mulheres mais velhas, com 50 ou mais anos de idade (10,38%). O estudo permitiu ainda apurar que a prevalência de casos é de 4,58% aos sábados e domingos; 3,4 vezes maior do que nas noites dos restantes dias da semana (1,56%). Durante o dia, a variação é mínima entre o fim-de-semana (2,71%) e os restantes dias (2,73%).
Jovens condutores lideram no consumo de álcool
No que respeita ao consumo de álcool, é a Itália que surge à cabeça do grupo (8,59%), seguido da Bélgica (6,42%), de Portugal (4,93%) e de Espanha (3,92%). Ainda assim, Portugal merece referências particulares, por o maior grupo de consumidores serem os jovens. Em concreto, verificou-se que, em média, a prevalência de álcool nos homens é de 6,21% e nas mulheres de 2,59%. No grupo de pessoas com idades entre os 18 e os 24 anos, contudo, os números saltam para 9,76% e 8,0%, respectivamente. É referido no estudo que se trata de uma excepção: na maior parte dos países, os condutores com álcool pertencem principalmente aos dois últimos grupos etários, entre os 35 e os 49 anos e os com 50 e mais anos. É destacada, ainda, outra particularidade: a prevalência do álcool, nos restantes países, é, em geral, mais baixa durante o dia, de segunda a sexta-feira. Em Portugal, a percentagem de condutores consumidores de álcool é mais alta durante o dia do que no período nocturno.
A cannabis encontra-se em terceiro lugar, no tipo de substâncias psicoactivas detectadas nos condutores portugueses. O seu princípio activo foi identificado em 72% dos casos de consumo associado de álcool e droga e, quando tomada isoladamente, em 1,38% dos condutores. Neste campo, o das drogas ilícitas, é Espanha que ocupa o pior lugar, com uma prevalência de 8,20%. Seguem-se a Itália (3,92%), a Holanda (2,51%) e Portugal (1,80%).
Consulte aqui o relatório com os principais resultados do projecto.
Fonte: Público online