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Condutores Portugueses Lideram Consumo de Benzodiazepinas

06 02 2012


Um estudo realizado no âmbito do projecto europeu Driving Under the Influence of Drugs, Alcohol and Medicines (DRUID) coloca Portugal em primeiro lugar, entre 13 países, em relação à quantidade de pessoas (2,73%) que conduz sob o efeito de benzodiazepinas, ou seja, de ansiolíticos. Este tipo de substâncias não parece ser o principal problema do país, onde perto de 9% dos jovens condutores consome álcool. As informações deste estudo deverão dar origem a novas orientações nas políticas de prevenção de acidentes rodoviários.

 
Em Portugal os dados referentes a este estudo foram recolhidos por uma equipa do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) e o relatório final ainda não é conhecido. Este estudo tem a particularidade de, pela primeira vez, fornecer informação sobre condutores não envolvidos em acidentes de viação e, também, de permitir compará-la com outros países europeus (Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Hungria, Holanda, Itália, Lituânia, Noruega, Polónia, República Checa e Suécia).

 
O estudo, desenvolvido pela Comissão Europeia, visa obter uma avaliação estatística fundamentada da prevalência do consumo de álcool, droga e fármacos nos diversos países da Europa e sendo considerado determinante para a definição de políticas de prevenção.

Mulheres consomem mais benzodiazepinas

 
As operações rodoviárias de controlo dos níveis de álcool no sangue e de recolha de amostras de saliva foram realizadas por equipas do Instituto Nacional de Medicina Legal, em colaboração com as forças de segurança e envolveram 3965 condutores, que participaram de forma voluntária e anónima. Entre Janeiro de 2008 e Junho de 2009, os participantes foram escolhidas de forma aleatória, em várias estradas nacionais. No entanto, as áreas geográficas do país, os horários, bem como os dias da semana e os meses de recolha, foram fixados pelos responsáveis europeus do projecto de forma a tornar a amostra representativa.

 
Em 10% do total de condutores portugueses foi encontrada pelo menos uma substância psicoactiva. As substâncias mais prevalentes foram o álcool (4,93%), as benzodiazepinas (2,73%) e a THC, que é o princípio activo da cannabis (1,38%).

 
O estudo vem mostrar que Portugal se destaca, precisamente, pela percentagem de condutores (4,75% mulheres e 1,68% homens) que conduz sob o efeito de ansiolíticos. Com uma particularidade: o consumo deste medicamento verifica-se especialmente entre as mulheres mais velhas, com 50 ou mais anos de idade (10,38%). O estudo permitiu ainda apurar que a prevalência de casos é de 4,58% aos sábados e domingos; 3,4 vezes maior do que nas noites dos restantes dias da semana (1,56%). Durante o dia, a variação é mínima entre o fim-de-semana (2,71%) e os restantes dias (2,73%).

Jovens condutores lideram no consumo de álcool


No que respeita ao consumo de álcool, é a Itália que surge à cabeça do grupo (8,59%), seguido da Bélgica (6,42%), de Portugal (4,93%) e de Espanha (3,92%). Ainda assim, Portugal merece referências particulares, por o maior grupo de consumidores serem os jovens. Em concreto, verificou-se que, em média, a prevalência de álcool nos homens é de 6,21% e nas mulheres de 2,59%. No grupo de pessoas com idades entre os 18 e os 24 anos, contudo, os números saltam para 9,76% e 8,0%, respectivamente. É referido no estudo que se trata de uma excepção: na maior parte dos países, os condutores com álcool pertencem principalmente aos dois últimos grupos etários, entre os 35 e os 49 anos e os com 50 e mais anos. É destacada, ainda, outra particularidade: a prevalência do álcool, nos restantes países, é, em geral, mais baixa durante o dia, de segunda a sexta-feira. Em Portugal, a percentagem de condutores consumidores de álcool é mais alta durante o dia do que no período nocturno.

A cannabis encontra-se em terceiro lugar, no tipo de substâncias psicoactivas detectadas nos condutores portugueses. O seu princípio activo foi identificado em 72% dos casos de consumo associado de álcool e droga e, quando tomada isoladamente, em 1,38% dos condutores. Neste campo, o das drogas ilícitas, é Espanha que ocupa o pior lugar, com uma prevalência de 8,20%. Seguem-se a Itália (3,92%), a Holanda (2,51%) e Portugal (1,80%).

Consulte aqui o relatório com os principais resultados do projecto.

 

Fonte: Público online


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