A implementação do projecto seguiu uma metodologia experimental, do tipo pré-pós-intervenção, com recurso a grupo experimental e grupo de controlo; tendo permitido a realização (i) do levantamento das percepções estigmatizantes, percepções de conhecimentos e intenções comportamentais dos alunos face a problemas de saúde mental – resultados pré-intervenção; bem como (ii) da avaliação do impacto das acções de sensibilização pró-saúde mental – resultados pós-intervenção.
Como principais resultados, ao nível da pré-intervenção, destaca-se, no que respeita às percepções estigmatizantes, (1) as percepções neutras face a problemas de saúde mental evidenciadas pelos participantes.
Em relação às percepções de conhecimentos, destaca-se o facto de (2) a maioria dos participantes percepcionar conhecer razoavelmente as perturbações mentais; verificando-se que (3) aquelas que os participantes percepcionam conhecer menos são as Perturbações Disruptivas do Comportamento e do Défice de Atenção, o Autismo e a Perturbação Bipolar e que aquelas que (4) percepcionam conhecer melhor são as Dependências e a Anorexia. Relativamente às causas associadas aos problemas de saúde mental, os participantes evidenciaram um (5) bom conhecimento global dos factores envolvidos no aparecimento de um problema de saúde mental.
No que respeita à possibilidade de as pessoas com perturbação mental terem uma vida como “a das outras pessoas”, destaca-se o facto (6) de apenas uma minoria dos participantes considerar tal ser totalmente possível.
No que concerne às intenções comportamentais, relativamente à intenção de procurar ajuda face a um eventual problema de saúde mental, (7) a maioria dos participantes referiu que provável ou definitivamente procuraria ajuda se tivesse um problema de saúde mental; sendo que (8) a maioria apelaria a diferentes tipos de ajuda (e.g., a ajuda dos pais e ainda de um serviço, por exemplo) ou apenas à ajuda dos pais isoladamente. Verificou-se, ainda, que, se conhecesse alguém próximo (e.g., familiar, amigo, colega) com um problema de saúde mental, (9) a maioria dos participantes tomaria a iniciativa de ajudar a pessoa em questão.
No que respeita aos resultados pós-intervenção, os resultados apontaram para um aumento de percepções positivas (menos estigmatizantes), (1) muito significativo no grupo experimental (GE), e (2) significativo no grupo de controlo (GC).
Relativamente às percepções de conhecimentos, contrariamente ao GC, os resultados apontaram para um (3) aumento muito significativo do score global de percepções de conhecimentos do GE, o qual se torna ainda mais explícito face (4) ao aumento significativo da percepção dos conhecimentos para todas as perturbações mentais abordadas no âmbito das acções.
No que respeita às causas associadas ao aparecimento de um problema de saúde mental, contrariamente ao GC, verificou-se um (5) aumento significativamente muito superior do número total de causas identificadas correctamente pelo GE. Por fim, por oposição ao GC, após participação nas acções, (6) os participantes do GE passaram a considerar de forma estatisticamente mais significativa a possibilidade de as pessoas com problemas de saúde mental terem uma vida “como a das outras pessoas”.
No que respeita às intenções comportamentais, destaca-se (7) a consideração de mais e diferentes tipos de ajuda, por parte do GE, face a um eventual problema de saúde mental, (8) tendo diminuído o número de participantes do GE que não sabem a que tipo de ajuda recorreriam.