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Presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental alerta para a urgência de "tirar do papel" e aplicar o modelo de intervenção comunitária, de forma a evitar "um desastre clínico e social"

18 06 2012


O presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), António Palha, mostrou-se preocupado com a escassa aplicação prática das medidas previstas no âmbito do Plano Nacional de Saúde Mental 2007-2016, "quando este já vai a mais de metade", e defendeu a necessidade de ser realizada uma avaliação urgente da sua execução.


De acordo com António Palha verifica-se a falta de uma rede de cuidados continuados para as pessoas com doença mental grave, sendo que "com o fecho dos hospitais, são precisas respostas comunitárias, mas as respostas tardam. Neste momento de crise é preciso uma estratégia", afirmou António Palha à Lusa. As pessoas com doença mental grave necessitam de estruturas e locais adequados ao seu tratamento. No entanto, de acordo com António Palha, estes doentes estão a ser enviados para casas sociais sem o devido acompanhamento médico, psicológico e de reabilitação.


"Já devíamos ter mais política de saúde mental na comunidade. Está mais no papel do que na prática. As leis são para cumprir. Temos a bandeira de um dos melhores países nos cuidados comunitários, mas a verdade não é essa. É preciso criar condições para o modelo funcionar, senão haverá um desastre social e clínico", afirmou. Este desastre, a que o presidente da SPPSM alude, está relacionado com a crise económica e social que o país atravessa, criadora de "novas realidades", que necessitam de novas respostas, ou seja, de um novo plano de saúde mental que substitua o atual, já “desadequado”. "Há preocupações novas, é preciso fazer uma redistribuição das áreas e avaliar as prioridades, pois se os meios já eram escassos antes da crise, agora como vai ser?".

 

 

 


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